Category Archives for Contos e Crônicas

Conto: Quarto escuro

O quarto está escuro mesmo com o dia claro, já que as janelas fechadas cortam a iluminação e dão uma sensação de entardecer na casa. Deitado na cama com os pés cruzados sobre uma almofada, Miguel olha para a TV, mas não parece vê-la. A porta do quarto é aberta bem devagarinho e logo fechada. Passam-se alguns minutos e o mesmo movimento na porta. Miguel sequer se mexe. Leia mais

Conto: Uma prosa no parque

– É uma delícia ver as crianças brincarem. Adoro parquinhos. – fala Sandra ao se aproximar de uma das mães.
– Também gosto. – Maria responde sem dar muito atenção. Leia mais

Conto: Preciso Me Encontrar

Mayra conheceu JC nas férias e curtiram um romance de verão e como não podia voltar para casa sem se despedir mas queria evitar aquelas choradeiras de fim de namoro deixou um recado para ele,“JC, eu preciso ir. Deixei um presente para você numa caixa dentro do seu armário.” Leia mais

Conto: Cores

Vermelha iluminada

- Mãe cheguei! - grita Renato.

Caminha em direção ao corredor, passa pelo seu quarto, joga a mochila e para diante o quarto da mãe.

A porta está entreaberta: - Mãe.

Entra devagar, vê a luz vermelha acesa no chão.

Carmem deitada, com braços sobre o queixo, olha para uma vela acesa.

- Estou sentido a energia da fusão do calor da vela com a iluminação vermelha.

- Hã?


Preto não é negociável

Tá vermelho!

- Odeio. Prefiro o amarelo, é negociável.

- Também, prefiro o verde e o amarelo. Odeio vermelho.

- São suas cores preferidas?

- Sim, as cores de nossa bandeira.

- Por quê?

- Esperança e prosperidade! E a sua?

- Preto.

- Me lembra o luto.

- Eu luto por todas as cores.


Branco como uma folha

Branco...

“Azul, verde, laranja, vermelho”

Água, sol, ar, vento?

A chuva molha, as flores crescem, o sol seca, as folhas caem!

Azul: um pingo de gota;

Verde: de um folha que surge;

Vermelho: a força do sol;

Laranja: de uma folha enfraquecida caída no chão;

Preto.

 


Azul do Céu

O céu não existe. É apenas reflexo.

- Existe, estou vendo, é azul.

- Não está. É só uma sensação.

- Para mim o mar está prateado.

- Não está. Sensação.

- Eu vejo um paredão branco!

- Não é sensação.

- Está tudo preto.

- Não é sensação.

- Não vejo nada.

- É minha sensação ou não vejo nada?

-Não é sensação.

 


Oncinha é o novo rosa

Mariana, não se afasta de mim. Vem cá menina!

- Mãe, eu quero esse.

- É muito grande para você. Aí não tem roupa de criança, vamos em outra barraca.

 

- Ah! Eu tenho vestido rosa lindo para essa princesa.

- Eu não sou princesa, linda eu sou.

- Tem algum vestido que não seja rosa, rosinha. Ela gosta de cores fortes.

- Eu quero esse! Que lindo!

- Vestido de oncinha, filha.

Conto: Correr e a Mente Viajar

Correr, correr, correr, devagar é verdade; olhando sempre para frente, prestando atenção na respiração. Inspira pelo nariz, expira pela boca; inspira pelo nariz, expira pela boca. Repite como se fosse um mantra. Concentração alcançada, a mente liberada para viajar.
Lembrei da frase “A vida não se faz sozinho, a vida se faz no plural” dita pela jornalista Neide Duarte num documentário, não lembro mais o nome, mas essa frase me fez pensar. Cantar, carreira solo, eu, você. Cadê o plural? A vida é no plural, por mais que não pareça. A ação está sempre vinculada a uma parceria. Preciso encontrar, melhor, identificar os plurais em minha vida. Cantar junto, banda, carreira com a banda, eu, você, nós. Leia mais

WhatsApp
>