Conto: Um Panamá em Londres

Chapéu Panamá, objeto particular e de valor emocional de uma artista que viaja o mundo apresentando seu trabalho. O chapéu a torna invisível e assim outra personalidade: ela própria. Renata, 38 anos, curiosa e seca por conhecer pessoas.

Renata sai do hotel e caminha pelas ruas de Londres. Sente-se tão sozinha, está frio, escuro. Caminha, sente o ar bater no rosto e pensa qual filme poderia ser aquele. Sempre sonhou em andar pelas ruas londrinas como se tivesse num filme, com aquele ar cinzento tão peculiar. Que filme seria esse? Logo veio a sua mente a lembrança de Jean Charles, e resolveu mudar de “assunto”.

É véspera da última apresentação na Europa, amanhã depois do show já estará a caminho de casa. Serão 10 dias no Brasil sem shows, reuniões, entrevistas e ensaios. Uma mini férias.

Renata caminha, sem ser reconhecida, não sabe se pelo fato de não ser “conhecida” em Londres, ou se pelo ar diferente causado pelo chapéu Panamá preto. Renata caminha.

Agora são pouco mais de 22. Apesar do horário um tanto avançado não há problema em andar pelas ruas a noite. De chapéu Panamá, sobretudo e luvas pretas, Renata caminha e pensa nas possibilidades da vida. Como ela foi parar em Londres?

Entra num bar, um pub. Diversos ingleses bebem – e muitos conversam em voz alta. Todos parecem um tanto transtornados, pela hora já deve ser efeito do álcool. Renata vai ao bar e pede um drink – vodka com alguma coisa. A música ambiente é um jazz, aqueles bem tradicionais de Nova Orleans, mas Renata não consegue identificar música e autor.

Renata olha a sua volta e repara num homem muito bonito que a observa de longe. Tem aparência espanhola, traços fortes, lembra o Antonio Bandeiras. Ele levanta o copo em forma de brinde. Ela sorri e agradece. Será que foi reconhecida? Se volta para o bar e continua focada no drink.

Renata caminha pelas ruas de Londres, cogita chamar um táxi e continua andando. Filme? Qual filme? Lembra de “De caso ao acaso”, mas não ocorreram imprevistos; “Um lugar Chamado Notting Hill” – não, menos, bem menos. Caminha e tentar relembrar de filmes, sempre foi uma cinéfila mediana, mas iria lembrar.

De volta ao hotel, é preciso descansar corpo, voz e alma para o dia de amanhã. Ela precisa acordar Renata Menezes.

São pouco mais de 6 da manhã quando desembarca no Tom Jobim. Esta última excursão foi muito gratificante e ainda teve o prazer de ver seu rosto estampado na principal revista mensal dedicada a cultura no país, é uma grande vitória. Agora só pensa em dormi em sua cama. Dizem que a vida de artista tem glamour. Há dias não sabe o que é dormir mais que 6 horas.

Só consegue chegar em casa por volta de 9 da manhã. E ao abrir a porta do apto a primeira coisa que vê é seu chapéu Panamá preto. As mini férias começam agora.

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Patricia Canarim
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