Ler, isto ou aquilo? Leio o que gosto

Leio desde criança, naquela época as histórias eram escolhidos pela minha mãe, que por diversas vezes lia os livros antes e ia me “cutucando” para criar um interesse pelo livro; então partia para a leitura, dividindo com ela, comentando a história. Isso foi fundamental para a minha formação como leitora; muito mais que os livros escolares que sempre lia por obrigação e daquela época mesmo só me lembro de dois livros que realmente gostei: O Cortiço de Aluísio Azevedo e A Senhora de José de Alencar. Li não, devorei, eu devia ter uns 12 anos.

Ainda adolescente li um livro que me marcou, pois me remetia a época que morava num casa em Jacarepaguá – bairro que ainda possibilitava as crianças brincarem na rua – eu tinha meus amigos de rua e todas as histórias e fantasias possíveis. Em Uma rua como aquela da autora Lucilia Junqueira de Almeida Prado, revivi aqueles anos que havia ficado para trás.

Os anos passaram e comecei a eu mesma selecionar os livros que leria. Sempre fui atraída por livros históricos e biografias. As pessoas achavam estranho esse meu gosto, inclusive minha mãe, mas via nesses relatos uma oportunidade de entender fatos históricos. Depois com os cursos de teatro (fiz curso de teatro, até faculdade por 1 semestre, mas optei pelo jornalismo) passei a ler muitas peças de teatro, todas disponíveis na biblioteca da Uni-Rio: Gianfrancesco Guarnieri, Nelson Rodrigues, Tenneessee Williams e outros.

Mais tarde admirava os romances e estranhava a leitura de crônicas e contos. Sério! Pensava: como é possível gostar de um texto tão curto, cuja história não tinha um desenrolar…

Li Paulo Coelho e perdi o interesse; já devorei seus livros, fáceis de ler. Aliás muito legal ele disponibilizar na web alguns títulos inéditos, pena que foi apenas por alguns dias.

Não li os clássicos, e não sei quando vou ler; tenho compromisso com a leitura que me faz bem. Diria que é meu momento. Gosto de ler, sou capaz de devorar um livro em 2 ou 3 dia, dependendo de meu entusiasmo.

No momento, por exemplo, tenho me dedicado as crônicas. Há alguns anos descobri seu valor. Reli uma coletânea de Rubem Braga – adoro; estou lendo As 100 melhores crônicas brasileiras, uma organização primorosa de Joaquim Ferreira dos Santos cuja introdução sem dúvida fará parte de qualquer seleção de crônicas futuras. Já li muito Nelson Rodrigues, Luís Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony.

Acredito que cada pessoa tem um estilo literário, se for capaz de ler os clássicos, melhor; mas isso não faz de alguém que não leu uma pessoa de leitura menor. Ou faz? Meu irmão diz que os livros nos escolhem, então vou esperar um clássico me escolher. Tudo tem seu tempo, assim também é na literatura.

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