Três dedos de prosa com Cida Gomes

Em 2008 fui Gerente de Conteúdo do site Saborearbh. E naquela ocasião produzi algumas matérias, entre elas, esta que acabou não sendo publicada. O Paulo Canarim, meu irmão conversou, com a Chef Cida Gomes, que tem um atelier culinário que leva seu nome. Descrevo agora esse bate-papo.

Na conversa com Cida Gomes falamos sobre a culinária, sobre a moda de ser chef, sobre o reaproveitamento e visitamos sua cozinha. A Cida Gomes é uma pessoa muito agradável. A conversa decorreu com muita facilidade. Chegamos no Atelier meia hora antes do combinado, o que não foi empecilho para a reportagem, logo começamos a bater papo, com uma câmera fotográfica digital registramos a conversa, ora fotografando ora gravando.

No meio da conversa, toca a campainha e Cida recebe um senhor que deseja orientações sobre como abrir um restaurante. Ele está voltando de Espírito Santo onde teve um bar. Sua família sempre teve padarias aqui em Belo Horizonte; está querendo novos caminhos e ter a gastronomia como foco e não a bebida, não agüenta mais aturar bebuns! Cida Gomes recebe e dar uma atenção surpreendente ao visitante.

Mas vamos à conversa com a Cida Gomes. A chef nos contou que seu ingrediente é o bom humor. É uma pessoa muito bem humorada, “faço piada com tudo, rio de mim mesma”. Conta que na época que abriu o atelier culinário foi barra pesada, passava dias inteiros sem receber um telefonema, mas mesmo assim “eu tirava sarro da situação”. Cida fala que gosta muito de rir, de brincar, de falar bobagem e que leva a vida mais fácil assim. Mas, lembra que há aqueles dias “há dias que você tá mais azedo, falta sal, mas no geral, o bom humor é fundamental”.

Cida conta sua dedicação a Deus, “a palavra que eu mais escuto falar é DEUS É BOM DEMAIS! E é mesmo. O que eu peço e recebo não é brincadeira”. Vamos deixar a Cida Gomes falar também:

Cursos e profissionalização da culinária

Agora falando um pouco dos cursos oferecidos no atelier culinário. O Trivial básico é o mais procurado. São pratos fáceis de fazer e principalmente pratos do dia-a-dia. Como arroz, refogado, feijão e outros. As turmas têm no máximo nove pessoas. O que faz o trivial básico ser o mais procurado é justamente a facilidade dos pratos. Muitas vezes chega alguém que quer aprender um pouco da cozinha japonesa ou da comida mediterrânea e depois de ter esses conhecimentos se descobre com a dificuldade de fazer um simples feijão com arroz. Quanto a cursos de gastronomia profissionalizante não sei se existe pós em gastronomia. Mas vale lembrar que eu não ofereço curso profissional.

Do glamour da profissão

De jogadores de futebol a chefs de cozinha, passando por modelo, atriz bailarina todo mundo quer ser celebridades. O melhor conselho que pode dar para tudo, não só para cozinheiro é estudar sempre, procurar se informar, estar informado. E saber que é uma profissão que vai requerer muita dedicação. Voltando àquela história de glamour, as pessoas esquecem que vão trabalhar num ambiente muito quente, perigoso, em pé por horas seguidas, sob uma pressão violenta. Tem que saber trabalhar em equipe, cozinha é equipe.

Não gosto de conselho! Quem sou eu para dar conselho!

 A cozinha portuguesa e o reaproveitamento

A cozinha portuguesa tem a tradição das claras. Usavam muita gema para fazer os doces nos conventos. E as freiras ficavam com aquela quantidade enorme de claras e aproveitavam para engomar a roupa. Temos que pensar na sustentabilidade, no plantio, no reaproveitamento. Apesar de não haver um trabalho específico, eu me preocupo com isso, a questão do óleo, coloco num recipiente. Alguma coisa aproveita. Mas, não tenho apostila montada sobre esse assunto. Por exemplo, o abacaxi, do bagaço do abacaxi, do talo das folhas dos brócolis, sempre faço isso, mas por ter sido criada assim, “na minha cozinha eu não perco nada”

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