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Aprender a assistir filmes

Terminou o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica ministrado por Pablo Villaça do site Cinema em Cena. E não páro de pensar na quantidade de filmes que quero ver e rever agora com as informações passadas pelo Pablo. A lista é enorme. Já assisti alguns mas não com esta visão, e sim, como ele fala, apenas aproveitando 20% do filme.

Com o curso do Pablo Villaça descobri por que gosto de uns filmes e outros não; e o mais importante, saber fazer a leitura de uma história cinematográfica que é contada por luzes, movimentos de câmeras, cenografia, figurino, um conjunto complexo que vai além da falas e da mensagem inicial do filme.

Aprender a ver filmes requer um atenção aos detalhes do filmes. Nada no filme é por acaso. O cenário, a iluminação, o figurino, a maquiagem estão diretamente ligados a situação da cena e a mensagem a ser transmitida. Os movimentos de câmera fala muito sobre a qualidade de um filme, é impressionante as mensagens que são transmitidas com um travelling, com uma panorâmica, com a opção de usar closer ou plano aberto, uma câmera no alto ou pegando o ator de baixo para cima.

A metodologia do Pablo de a cada item do curso apresentar filmes que demonstram o que falou foi o grande diferencial e o que causou em todos na turma – acredito eu – a vontade de rever os filmes. Por exemplo, tenho que rever o Clube da Luta para ver as primeiras aparições de Brad Pitt para o personagem de Edward Norton. Outro filme citado é  Frankenstein de Mary Shelley. Quero ver no contexto do filme o movimento de câmera chamado de plano plonge e contra-plonge. E também quero ver O Aviador para ver as referências cinematográficas feitas por Martin Scorsese. E muito mais filmes.

O curso além de me ensinar a ver filmes, me fez relembrar da época de faculdade – me graduei em Jornalismo – mas fazia todas as disciplinas relacionadas a cinema – assistia a muitos filmes, entre eles os clássicos O Encouraçado Potemkin, de Serguei Eisenstei, Acossado de Jean-Luc Godard, Poderoso Chefão de Francis Ford Coppola e o documentário febre da época nas universidades “Muito além do Cidadão Kane” em que apresenta as articulações políticas da TV Globo durante o período da ditadura militar brasileira. E um dos filmes que mais curtir de assistir foi  A noite americana de Truffaut, num curso na Fundição Progresso.

E apesar de ter muito trabalho (ainda bem!) vou voltar a assistir com mais frequência filmes. Outro objetivo é escrever sobre filmes com regularidade, projeto futuro. E como já contei aqui, antes de iniciar o curso assisti Antes do Amanhecer e Cães de Aluguel, já para tentar fazer uma análise. Do fim do curso até agora (se passaram 2 dias) assistiUp- Altas Aventuras e Arca Rússia, ainda sem um caderninho de anotações, mas prestando atenção nos detalhes. Dois filmes bem diferentes, mas com o curso aprendi também a perder o preconceito por filmes. E isso só será completo quando passar a gostar de filmes de ficção científica.

Por fim, o curso deixou também uma ótima lembrança da turma numa noite muito agradável no Chopp da Fábrica. Agora, vamos trocar nossas percepções sobre os filmes pelo twitter e pelo grupo de e-mail.

Uma resenha sobre Cães de Aluguel

Escrevi esse texto hoje para ser entregue como primeiro exercício do curso Teoria, Linguagem e Crítica com PabloVillaça que começa amanhã, dia 13 de Junho. Portanto, ainda sem orientações. O objetivo era descrever o que me chamou atenção no filme com no máximo 400 palavras. E foi a primeira vez que assisti a um filme com esse foco, escrever sobre depois.

Foi solicitado por e-mail que nós da turma assistíssemos um dos filmes “Cães de Aluguel” de Quentin Tarantino, ou “Antes do Amanhecer”, de Richard Linklater.  Claro, que aproveitei para assistir os dois. Na verdade, foi uma boa oportunidade para rever o filme de Tarantino que já havia visto há muitos anos.

Para minha surpresa, fiquei mais tentada a escrever sobre “Cães de Aluguel” que pelo filme romântico “Antes do Amanhecer”, mas muito bom e longe dos clichês comédias-românticas.

Um dos motivos de escolher “Cães de Aluguel” foi de admirar muito a obra de Tarantino, já vi diversos filmes, e por tentar fazer uma análise da cena inicial do filme. Esta deixa descobri num videocast feito pelo Pablo Villaça sobre o filme Alien, o oitavo passegeiro.

Sobre Cães de Aluguel

Primeiro filme do diretor Quentin Tarantino rodado em 1992 apresenta já o estilo Tarantino de filmar, onde tiros e sangues marcam presença numa história não linear. No filme Tarantino aparece para o público, com uma participação a la Hitchcock.

Tarantino apresenta os personagens num mesa de lanchonete, onde os homens que participarão de um assalto a uma joalheria se reunem para o café-da-manhã antes da ação.

Nesse café-da-manhã conhecemos um pouco da personalidade de cada um. A cena começa em plano fechado, com fumaça de cigarro tomando conta do espaço com ar sombrio e o personagem Mr. Brown (Tarantino) dando sua versão para o significado para a música Like a Virgin de Madonna. A câmera passeia pelos personagens mostrando um-a-um, mas sem deixar claro quem é quem e onde estão. Podemos ver suas reações às histórias e tanto que são focados dá a importância de cada um no filme. Então a câmera pára num plano mais aberto.

Começa o que seria a apresentação dos personagens. Um dos aspectos mais marcante são os homens vestidos de terno preto. Transmitem um aspecto sério, importante ao negócio tratado. Joe (Lawrence Tierney), o velho, apesar de inicialmente aparentar uma insanidade, por ficar repetindo nomes, é o big boss do grupo e impõem sua presença ao encerrar a conversa, pagar a conta e se indignar com a atitude de uns dos homens que se recusa a dar gorjetas. Este, o Sr. Pink(Steve Buscemi), um homem frio e intransigente e com uma razoável mágoa da vida. Mas, o desenrolar do filme demonstra ser um profissional que explica sua intrasigência inicial, que podemos resumir com o “combinado não é caro”. Outro personagem que chama atenção neste momento é o Eddie (Chris Penn) assim como Joe, não usa terno. Isso demonstra que tem uma participação diferente na operação. Com o filme percebemos que tem um função gerencial por ser filho de Joe.

Depois do café os homens saem e caminham, demonstrando uma naturalidade que contrapoem a operação que será realizada. Isso já diz como a questão é tratada com devido profissionalismo pois não há dúvidas ou incertezas devido a inexperiência.

Título original: (Reservoir Dogs)
Lançamento: 1992 (EUA)
Direção: Quentin Tarantino
Atores: Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Steve Buscemi.
Duração: 99 min
Gênero: Policial

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