Meu Kindle

Sou uma pessoa que gosta do mundo virtual, que curte a colaboração criativa entre as pessoas, que compartilha conhecimento e adoro conhecer novas pessoas pela web. Porém, nunca fui muito apegada a equipamento tecnológicos, meu celular é um smartphone simples, aliás demorei para chegar nesse nível, não tenho tablet, não vejo necessidade e meu notebook é um equipamento para trabalhar. E por isso, sempre relutei e adiei a compra de um aparelho para leitura.

Gosto muito de ler, de passear em livrarias, compro mais livros que sou capaz de ler, e os escolhos muitas vezes pela capa, por um texto atraente na contra-capa. Uma tarde num livraria para tomar um café e pesquisar por novos livros para mim é um passeio perfeito. Já escrevi sobre meu gosto por livrarias aqui no texto Eu sou bookaholic? e aqui no texto Um bom lugar para ler um livro.

Chegou a hora de conhecer o mundo da leitura virtual. Comprei um Kindle e estou adorando a nova tecnologia para ler. O produto é muito fácil de usar, a bateria dura muito – só carreguei a primeira vez e já o tenho há uma semana – a iluminação é perfeita e a usabilidade é intuitiva. Já comprei alguns livros na Amazon e baixei outros na versão gratuita para ler o início e caso goste, aí sim compro o livro e terei acesso ao conteúdo completo. Mais uma facilidade do mundo digital.

Uma coisa me chamou atenção, e não foi no Kindle e sim na minha relação com os livros. A sensação é que não tenho esses livros que comprei na Amazon, não posso pegá-los, não há uma relação física com eles. Sei que vou me acostumar, é sempre assim quando nos deparamos com algo novo.

Uma das vantagens que vejo no uso do Kindle, é a facilidade de ser guardado, levado de um lado ao outro. Antes, quando ia viajar escolhia um livro, e este seria a minha única opção na mala. Hoje, sem dúvida, posso ter diversos livros a minha disposição numa viagem. De outro forma, os livros de estudo, que são relacionados ao meu trabalho, eu já prefiro que eles sejam físicos mesmos. Gosto de fazer anotação, de tê-los por perto. Ok, eu sei que é possível fazer anotação no Kindle. Mas, este é um hábito mais difícil de tirar afinal levei anos para conseguir escrever num livro. Na minha casa era proibido escrever em livros, afinal os livros eram sempre reaproveitados. Só faço isso em livros que sei que ficarão comigo.

O mercado literário promove o relacionamento interpessoal entre autores e leitores para a promoção dos livros: datas de lançamentos, palestras com autores, bienais do livro, feiras literárias todos esses eventos são importante para manter o interesse por histórias – seja ficção ou não ficção – isso sem contar na formação de novos leitores.

O livro no formato digital sem dúvida é uma invenção maravilhosa, que ampliou o acesso a literatura, abaixou o preço do produto e aumento o volume da produção literária. Porém, sabemos que é mais uma opção para a leitura e não se tornará a única opção. Assim, continuaremos tendo os eventos literários com a presença maciça de livros impressos, até por que ainda não foi criado um aplicativo para autógrafo digital ou  para escrevemos uma dedicatória num livro a ser presenteado a um amigo.

Dedicatórias e autógrafos em livros são histórias paralelas criadas a partir do gosto pela literatura.

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