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Mayra conheceu JC nas férias e curtiram um romance de verão e como não podia voltar para casa sem se despedir mas queria evitar aquelas choradeiras de fim de namoro deixou um recado para ele,“JC, eu preciso ir. Deixei um presente para você numa caixa dentro do seu armário.”

JC ao ver seu presente até pensou em ir atrás de Mayra, mas, logo se deu conta que era esse um erro primário. “Vou criar eu mesmo minhas histórias”. A caminhada de JC só começou ao completar 18 anos, quando saiu de casa com sua mochila jeans, uma máquina fotográfica, um boné e uma garrafa de 200 ml de licor que no rótulo dizia: Licor Caseiro de Paraty, sabor Jabuticaba. “Só volto quando me encontrar. Fui!”

Desde que saíra de casa, morou em cidades pequenas, turísticas. Pulava entre uma e outra, de verão a verão. E assim, conheceu o mundo. Sempre em busca de fazer novas amizades, novas culturas. “Viver é ter histórias para contar”.

Desde cedo era um menino inquieto. Aquele lugar fez dele um desbravador. A família fez dele um homem seguro e confiante. Os amigos fizeram dele uma pessoa corajosa e determinada. Os turistas fizeram dele um turísta em sua própria casa.

Em cada cidade que chegava logo fazia amizade e arranjava um emprego, tinha diversas habilidades – já trabalhara como pescador, garçom, guia turístico, tradutor, fotógrafo, barman. E sempre aberto para novas aventuras como a que experimentou no verão italiano em Capri ao ser convidado para ser dançarino numa taberna. Sabia que poderia render algumas histórias além dança. E aceitou. “Histórias são para ser vividas.”

Em alguns locais ele virava o ponto turístico, era o contador de histórias. E sempre quando questionado sobre por que viver assim, cantava: “Quero assistir ao sol nascer, Ver as águas dos rios correr, Ouvir os pássaros cantar, Eu quero nascer, quero viver…”. E saía caminhando e cantando, distribuindo sorrisos.

JC desembarca no início da noite em Morro de São Paulo. Não tira foto, prefere guardar na memória toda a modificação por que passou o lugar. Caminha pelas ruas de areia olhando para cada bar, cada casa, cada pousada. Muitas lembranças vem a sua mente até que reconhece uma casa que tem um restaurante na parte superior do terreno. Entrou, olhou, sorriu.

O velho Paco ao vê-lo bateu as palmas da mão numa atitude de espanto e alegria. Parado por uns segundos em frente a JC completa: “Sem historinhas, coloca o uniforme e começa a servir as mesas. Vai, sai da minha frente.”

É verão, muitos turistas, logo a notícia se espalha e velhos amigos aparecem para tomar um chopp e saber das últimas de JC.

Já no fim da noite JC está servindo o café num mesa, começa colocando as xícaras, a garrafa de café. Uma das moças na mesa pergunta se tem licor para acompanhar. “Claro, que sim, vou ver o que temos para oferecer.” A moça aponta para uma pequena garrafa já na mesa. Sorri, “Quero este.” No rótulo Licor Caseiro de Paraty, sabor Jabuticaba.

Patricia Canarim